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FAQ : Fisioterapia Aquática Funcional




Preparamos, abaixo, um conjunto de perguntas e respostas abordando as dúvidas mais frequentes no meio com base na fisioterapia aquática funcional. Mais tarde, outras perguntas surgirão de nossos visitantes e deverão ser adicionadas a esta base de dados, tornando-a um grande “tira-dúvidas”.


1. Qual é a melhor configuração de piscina para a fisioterapia aquática funcional?

Resposta: A importância do processo terapêutico com enfoque funcional se dá desde o momento do transporte / deslocamento do paciente do vestiário à borda da piscina, passando por sua entrada na água e processo terapêutico, até sua saída da água e deslocamento de volta ao vestiário. Sendo assim, tudo isso tem que ser detalhadamente abordado na confecção da “piscina ideal” para nossa terapia. De maneira geral, devemos estar atentos para que o transporte do vestiário à piscina seja feito da forma mais segura possível, com tratamento antiderrapante no piso e em cadeiras de banho adequadas e que permitam, caso seja possível ao paciente, o autodeslocamento. Mantendo o mesmo foco, uma piscina com borda elevada com cerca de 60 cm de altura é a mais adequada à nossa terapia, visto que ela facilita a transferência do paciente à água, aproveitando ao máximo e já treinando sua capacidade funcional para esta transferência. Mesmo no caso de pacientes com quadro motor mais grave, em que não há funcionalidade preservada para esta transferência, esta configuração de piscina com borda elevada facilita o acesso a partir da cadeira ou mesmo maca. A piscina pode ainda, caso haja o espaço físico necessário no ambiente, ter um acesso adicional com uma rampa ou escada, cercada por corrimãos, conduzindo até o topo da borda elevada e outra rampa ou escada, também cercada por corrimãos, que conduza do topo da borda ao interior da piscina. Este tipo de acesso permite o treino do paciente, deambulador ou cadeirante, ao enfrentar a rampa / escada, tanto em meio líquido como já transferindo esta habilidade para solo. Mas, caso sua piscina tenha, por exemplo, 3,5 m de largura, não indicamos este acesso adicional pois ele ocupará grande parte da largura da piscina com a rampa / escada que dará acesso ao seu interior. Neste caso, prefira somente a borda elevada. Em relação à configuração do fundo da piscina, para o processo de reabilitação funcional, indicamos um fundo inclinado com angulação de 50 em relação à horizontal pois ele constituirá uma rampa que poderá ser utilizada no contexto da terapia, principalmente se sua piscina tiver como acesso exclusivo o sistema de borda elevada.


2. Preciso de “lift” ou elevadores de borda para atender na piscina?

Resposta: Não. O processo de reabilitação funcional preconiza a abordagem do paciente desde sua transferência para a borda da piscina. Com a configuração da piscina com borda elevada, mesmo para os pacientes com quadro motor mais grave, o lift não se faz necessário. Além disso, trata-se de um equipamento de alto custo e que demanda muita atenção no momento em que o paciente é posicionado nele para que seja garantida a segurança. Isto demandará mais tempo e esforço do que a própria transferência do paciente para a borda elevada. Adicionalmente, a depender da demanda e fluxo de atendimentos do seu serviço, o processo inviabiliza o uso deste equipamento. Por isso, não o indicamos.


3. Quais os principais materiais para atender adultos e crianças de diversas patologias?

Resposta: De maneira geral, pode-se prestar um atendimento de qualidade do ponto de vista funcional com os seguintes materiais:

  • Flutuadores e pesos de diversos modelos e cargas;
  • Plataforma subaquática;
  • Materiais que constituam obstáculos a serem ultrapassados e utilizáveis, portanto, no treino da função como “steps”, cama elástica, discos, argolas, etc
  • Brinquedos e materiais diversos como bolas, mobiles, tapetes de EVA, mesas e cadeiras de vinil com peso nos pés para que não flutuem, andadores triangulares e muletas em alumínio, etc. (materiais que permitam a abordagem, em água, da função desejada em solo).

4. Como devo manter os parâmetros de tratamento da água de uma piscina que poderá ser contaminada com eventuais incontinências de pacientes?

Resposta: Depende do tratamento utilizado em sua água.

Para uma piscina tratada exclusivamente com cloro, por exemplo, consideramos como parâmetros ideais, para que seja garantida a segurança do usuário mesmo em uma piscina submetida a altos níveis de contaminantes, os seguintes valores:

  • Concentração de cloro livre: igual ou superior a 2,5 ppm, menor que 4 ppm;
  • Concentração de cloro combinado: igual ou inferior a 0,8 ppm;
  • pH: entre 6,8 e 7,2;
  • Alcalinidade total: entre 50 e 120.

Já em uma piscina cuja água é tratada adicionalmente com ozônio por exemplo, os valores de alcalinidade e pH mantêm-se os mesmos porém, devido ao alto poder sanitizante e oxidante do ozônio, as concentrações de cloro podem ser reduzidas a valores ditos como reserva de segurança, sendo eles:

  • Concentração de cloro livre: entre 1 e 2 ppm;
  • Concentração de cloro combinado: igual ou inferior a 0,4 ppm.


5. Quais os exames / laudos laboratoriais asseguram uma piscina em condições de uso?

Resposta: as piscinas terapêuticas normalmente são consideradas, pela legislação, como piscinas de uso especial às quais não há exigências legais consistentes. Levando em consideração a garantia de segurança ao usuário e já atendendo a tudo o que é estabelecido em legislação, uma piscina terapêutica deve ser submetida a, pelo menos, uma análise físico-química e uma análise microbiológica por mês (além das análises diárias de cloro, pH e alcalinidade feita por kits convencionais). Na análise físico-química devem ser avaliados:

  • Concentração de cloro livre;
  • Concentração de cloro combinado / cloraminas;
  • pH;
  • Alcalinidade total;
  • Dureza cálcica (principalmente nas piscinas tratadas com cloro granulado -hipoclorito de cálcio ou de sódio);
  • índice de turbidez;
  • Concentração de ácido cianúrico (principalmente nas piscinas tratadas com cloro estabilizado ou em pastilhas).

Na análise microbiológica, sugerimos a pesquisa pelos vários micro-organismos estabelecidos na norma NBR 10818 da ABNT, sendo os principais:

  • Coliformes fecais e totais;
  • Fungos e leveduras;
  • Escherichia coli;
  • Pseudomonas aeruginosa;
  • Cândida albicans.


6. Acompanhantes devem entrar em quais condições?

Resposta: Recomendamos a entrada do acompanhante na água para participar do processo terapêutico quando, de alguma forma, isto se fizer necessário para a efetivação da abordagem funcional da terapia, seja para facilitar o processo de adaptação / vínculo do paciente com o terapeuta ou mesmo para garantir a segurança do paciente em casos específicos.


7. Qual o limite seguro de ocupação de uma piscina terapêutica?

Resposta: De forma geral, mantendo o foco no contexto funcional, o limite seguro de ocupação de uma piscina terapêutica é aquele que permita com que cada terapeuta tenha, no mínimo, um espaço de 9 m2 de área para trabalhar.


8. Devemos indicar fraldas subaquáticas para pacientes com incontinência?

Resposta: A indicação de fraldas de piscina, sejam elas de silicone, látex ou mesmo as de material especial para uso em água, é relativa e apresenta restrições: como estas fraldas não isolam totalmente do contato com a água, caso o paciente esteja fazendo uso deste acessório, isto demandará atenção especial e constante do terapeuta pois, caso o paciente venha a evacuar na fralda e o terapeuta não estiver atento e verificando constantemente, o contaminante ficará em contato contínuo com a água por tempo indeterminado, até que o terapeuta perceba a ocorrência, o que pode trazer riscos de contato com micro-organismos antes que o cloro entre em contato com ele para exercer sua ação sanitizante. Desta forma, preferimos não indicar o uso de fraldas subaquáticas visto que, caso o paciente que não a estiver utilizando venha a evacuar por exemplo, isto será percebido imediatamente pelo terapeuta, que poderá então proceder com interdição, limpeza e desinfecção da água de forma rápida e efetiva, maximizando a segurança do processo. Teremos assim, um terapeuta com atenção direcionada o tempo todo ao processo terapêutico e pronto para agir rapidamente, caso ocorra um episódio de contaminação da água.



Pergunta dos comentários (Marcus): Qual a sua opinião sobre água piscina tratada com  raio ultra violeta reduzindo o cloro em até 75% em caso de piscinas de academia ou terapêutica?

Resposta: O sistema de tratamento da água com ultravioleta tem se mostrado muito eficiente e funciona de maneira  muito similar ao tratamento de Ozônio. É importante ressaltar que, como você disse, REDUZ  a concentração de cloro usada, mas não é possível eliminar totalmente sem uso em nenhuma hipótese pois o ultravioleta, assim como o ozônio, tem sua ação no ponto do encanamento onde é aplicado, devolvendo a água totalmente limpa e desinfetada par a piscina. Mas é preciso ter uma concentração de cloro como reserva de desinfecção que atue até a água circular e passar novamente pelo ponto do encanamento onde é aplicado o UV ou injetado o ozônio. Em resumo, é um excelente recurso para tratamento da água da piscina.

Fábio Rodrigues Branco
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