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Fisioterapia Aquática Funcional - Equilíbrio na Paralisia Cerebral Diparética Espástica



Olá a todos,

Para esta leitura decidi trazer um estudo de caso realizado na Fisioterapia Aquática da AACD de Osasco, o qual foi apresentado no XXII Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação em 2010.

A idéia do trabalho foi avaliar a influência da fisioterapia aquática no equilíbrio de um paciente após algumas sessões de terapia. Para isso, participou do estudo uma criança com diagnóstico de PC diparética espástica, nível motor II do GMFCS [1], sendo que o mesmo possuía marcha independente com muletas canadenses. A melhora do equilíbrio dinâmico representaria um ganho importante em suas transferências e deslocamentos na escola, melhorando assim sua qualidade de vida.

A PC é uma disfunção predominantemente sensório-motora, envolvendo distúrbios no tônus muscular, postura e movimentação voluntária. Estes distúrbios se caracterizam pela falta de controle sobre os movimentos e sobre o equilíbrio corporal [1]. Além das deficiências neuromotoras, a PC pode também resultar em incapacidades, ou seja, limitações no desempenho de atividades e tarefas do cotidiano da criança e de sua família [1].

A avaliação inicial foi feita através da Escala de Berg [2]. Sendo que o escore inicial do paciente foi de 22 pontos nesta escala. Além disso, foi mensurado o tempo de permanência em ortostatismo (TPO) antes e depois de toda sessão de terapia no meio líquido.

Foram realizadas dez sessões de terapia no meio líquido, sendo que os exercícios propostos visavam a retomada do centro de equilíbrio durante o ortostatismo e marcha com e sem obstáculos, agachamento e subir e descer degraus.

Após o período de intervenção o escore do paciente na Escala de Berg foi de 31 pontos. Também foi observado aumento do TPO que foi de 4,26s na avaliação inicial para 124,17s após dez sessões no meio líquido. Com relação ao TPO realizado antes e depois toda sessão de terapia, foi observado aumento do TPO em sete sessões de terapia, com relação ao tempo apresentado no início da sessão. Esses resultados refletiram em melhora da agilidade do paciente em seu ambiente escolar, segundo relato dos pais.

Os resultados evidenciam que a terapia realizada no meio líquido refletiu na melhora do equilíbrio do paciente estudado.

Sabemos que o equilíbrio corporal é a base para a realização das ações motoras humanas, ele deve ser visto como suporte para atividades funcionais, sendo que há variação na intensidade e amplitude de oscilações corporais em função da tarefa a ser realizada, sem necessidade consciente do controle de equilíbrio corporal [3]. A habilidade de recuperar o equilíbrio é essencial para prevenir quedas e essa recuperação depende da seleção de uma resposta postural adequada para o contexto ambiental [4].

Os exercícios realizados na fisioterapia aquática vêm sendo utilizados no tratamento de indivíduos com déficit de equilíbrio decorrente de diversas patologias, pois a viscosidade que a água apresenta desacelera os movimentos e retarda a queda, o que prolonga o tempo para retomada da postura quando o corpo se desequilibra. O empuxo atua como suporte, o que aumenta a confiança do indivíduo e reduz o medo de queda [5]. A terapia no meio líquido facilita as reações de endireitamento e equilíbrio, visto que não existem pontos de apoio e o paciente é obrigado a promover alterações posturais [6].

Desta forma, podemos concluir que os exercícios para recuperação do equilíbrio propostos no meio aquático, proporcionaram melhora no equilíbrio dinâmico do paciente estudado. Novos estudos com maior número de pacientes precisam ser realizados.

Obrigada e até a próxima.


Referências Bibliograficas

1. Rosenbaum et al. Dev Med Child Neurol 2006; sup:8-14.

2. Berg KO, Norman KE. Functional assessment of balance and gait. Clinics in Geriatrics medicine, v. 12 (4), p. 705-723, 1996. Adaptado transculturalmente por Miyamoto et al, 2004.

3. Cury, Rlsm; Magalhães, Lc. Criação de protocolo de avaliação do equilíbrio corporal em crianças de quatro, seis e oito anos de idade: uma perspectiva funcional. Revista Brasileira de Fisioterapia 2006; 10(3): 347-354.

4. Jacobs, Jv & Horak, Fb. External postural perturbations induce multiple antecipatory postural adjustments when subjects cannot pre-select their stepping foot. Experimental Brain Research 2007; 179: 29-42.

5. Resende et al. Efeitos da hidroterapia na recuperação do equilíbrio e prevenção de quedas em idosas. Revista Brasileira de Fisioterapia 2008; 12(1): 57-63.
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